ah, as pequenas rejeições
By Renata Arruda At 02:26 0
Ele, inatingível.
Ela, invisível.
Semanas de contato, respeitando as prioridades. A ponto de enlouquecer, estava quase um mês sem conseguir pensar em qualquer outra coisa; trocando o dia por intermináveis noites ansiosas, que passava procurando desvendar todo o seu passado e a sua vida. Quem era? O que tinha feito? Do que gostava? Com quem andava? Incontáveis fotos de anos já distantes. Pessoas, muitas pessoas. Suas mesmas roupas, seu cabelo que parecia crescer cada vez mais com o passar dos anos. Páginas e mais páginas de impressões, histórias, cotidiano, invadindo a vida alheia em busca de alguma pista. A busca por respostas criou ainda mais perguntas. A principal não fora respondida, mas hoje ela já não se importa tanto. Como dois mundos de um mesmo sistema. Eles se veem e trocam palavras. Ele emudece, enquanto ela espera por respostas. Ele some. Ignora-a, e ela se lembra a importância que tem na vida dele. Ele voa. Alto. Ela observa de longe e espera, não que ele volte pois nunca esteve. Mas que pare e que olhe e que lhe dê atenção. Mas são tantas pessoas...e tantos lugares. Impossível saber ao certo onde ele estará, ele é imprevisível. Algumas horas os afastam mas ela não pensa em ir até lá a esmo. Nem sabe ao certo seu endereço. Está a espera daquele café, que ele sugeriu antes de sumir. Sabe que não há esperanças para eles, a realidade denuncia. Um relacionamento impessoal, é o que os aguarda. Até a sua amizade ele é arredio, e ela não entende bem o porquê. Serão as más línguas? Será que seu comportamento denunciou o que não deveria? Será que ele imagina que ela quer tirar vantagem da sua posição? Mas é tão simples, ela pensa. É tão simples que toda essa indiferença chega a ser rude. Por que os outros não têm a mesma atitude? Ela não sabe. É verdade que esteve apaixonada. É verdade que o encantamento lá do começo se transformou em paixão quando ela precisou de algo em que se agarrar. E talvez ainda esteja apaixonada. Terá ele descoberto? Alguém mais atento percebeu? Não sabe. Teve ímpetos de correr atrás como se dependesse dele para a sua vida. Ir onde soubesse que ele estaria; todos os lugares. Fazer amizade com todos os seus amigos. Puxar conversa do nada, no meio da madrugada. Sufocou todos esses delírios prevendo o fracasso. Não tinha mais 13 anos; não podia se expor a este devaneio do coração. Nos momentos mais alucinados, gostava de imaginar que ele a teria notado e que teria curiosidade para conhecê-la; seu silêncio não passava de discrição. Ia dormir com esperanças, mas as luzes do dia seguinte evidenciavam o óbvio: não. Está louca? Onde já se viu!? Suspirava, conformada.
Tais noites foram superadas; ele, não. Permanece em seus planos, mesmos os menos românticos. Planos que concretizados, os obrigarão a encarar-se, em confronto. Mas confronto algum sairá, já imagina os sorrisos e frases polidas, e seu coração se derretendo como se não houvesse aprendido a lição. Evita saber dele, mas está em todos os lugares e estes sites de computador, tão espertos, parecem saber disso: é sempre o primeiro que ela vê. Ela tenta agir com desdém, mas ele é mais forte. Ela cede e ele não repara. Um fio de esperança passa pelo seu corpo todos os dias, mas ela já desistiu. Está magoada. Como vingança, destituiu-o de sua humanidade e o relegou ao plano platônico das ideias, fazendo dele não uma pessoa, mas um personagem.
Ele não se importa.
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