Roberta Campos lança Diário de um dia

Em mais um texto bem humorado, Duda Rangel comentava brevemente as vantagens e desvantagens de trabalhar em algumas das editorias jornalísticas (vale a pena ler o post). Segundo Duda (e provavelmente todo o resto - eu inclusa) as desvantagens incluem: sofrer bullying dos outros jornalistas que te acham pseudo-intelectual; lidar com o egocentrismo e o mau humor de muito artista e ser escalado para cobrir o show do Michel Teló. Como sou novata no ofício, ainda não passei por muitas roubadas mas, se antes eu escolhia cem por cento das matérias que iria fazer, agora já começam a surgir pautas que preciso fazer. E está sendo interessante pra mim ter contato com músicas e artistas que eu não teria de alguma outra maneira. Felizmente, não apareceu nenhum show do Michel Teló ou algo do gênero (o que exigiria um certo esforço da minha parte; é complicado ouvir várias vezes músicas que você não gosta ou ter que sair de casa para assistir a shows que você não quer), mas não deixou de ser desafiador fazer matérias como a que rendeu uma boa entrevista com a banda Vivendo do Ócio (no Scream & Yell) e agora esta com a cantora Roberta Campos, que eu não conhecia e que, apesar do som um pouco genérico, rendeu uma audição agradável - as novas são melhores que as anteriores

Ela lançou uma música nova, "Diário de um Dia" com exclusividade no site (veja aqui), e é sempre interessante fazer este tipo de matéria. 

Leia na íntegra:




por Renata Arruda
Roberta Campos aprendeu a tocar violão com instruções de um vizinho aos 11 anos de idade e logo passou a compor – termo definido pela cantora de mais de 200 (!) composições como “uma necessidade”.  Iniciou sua carreira na noite mineira em apresentações de voz e violão, e chegou a integrar a banda Poptrote, de Sete Lagoas, da qual saiu em 2002 antes de se mudar para São Paulo em 2004, onde começou a fazer música profissionalmente. Passou a frequentar saraus e conhecer pessoas envolvidas com música, até que em 2008 resolveu gravar suas composições, que resultaram no autoral “Para Aquelas Perguntas Tortas”, álbum gravado, produzido e lançado por ela mesma na internet, de forma independente.
O álbum trazia 13 composições de Roberta – além de uma versão para “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, de Lô e Márcio Borges, gravada por Milton Nascimento – executadas praticamente no formato voz e violão. Para promovê-lo, a cantora levou uma cópia da demo à rádio paulistana Nova Brasil FM, que passou a tocar a faixa que daria nome ao seu segundo álbum, “Varrendo a Lua”, em sua programação e apresentou o trabalho da moça para a gravadora Deck. Estava selada a parceria entre cantora e gravadora, que resultou no elogiado “Varrendo a Lua”, lançado em 2010 em CD, vinil e álbum digital, e cujo carro-chefe foi a regravação da faixa “De Janeiro a Janeiro”, também presente em “Para Aquelas Perguntas Tortas”, mas dessa vez contando com a presença de Nando Reis que dividiu os vocais com Roberta.
A cantora também ganhou projeção ao ser elogiada por Marcelo Camelo, que gostou da versão caseira para “Doce Solidão”, gravada por Roberta e postada em sua conta no Youtube, e chegou a declarar à Rolling Stone: “É para gente como Leandro Tavares ou Roberta Campos cantar que eu componho”.
Com influências que vão de Milton Nascimento a Legião Urbana, Roberta define sua música como Pop/Folk e sua voz doce e infantil chegou a lhe render comparações equivocadas com Mallu Magalhães, com quem tem em comum apenas o rótulo de “nova MPB”. Rótulo com o qual Roberta se identifica: “Acho ótimo [este momento], é bom saber que várias pessoas tem conquistado seu espaço, na verdade acredito que têm espaço para todos e fico feliz por cada dia esse cenário ficar mais amplo!  Sinto-me sim parte dessa geração”.
A turnê de “Varrendo a Lua” termina apenas neste mês e os ingressos para a apresentação no SESC Consolação, em São Paulo, já estão esgotados. Sem trégua, Roberta Campos já prepara o lançamento do seu sucessor, que leva o nome nome de uma das faixas do álbum, “Diário de um Dia”. Em entrevista ao Scream & Yell, Roberta conta sobre a escolha do título:
“Com esse nome eu quis retratar a minha vida, como o que nos faz separar os dias são a lua e o sol e na minha cabeça a vida se resume em um único dia do primeiro ao fim, esse é o “Diário de um dia”, o diário da minha vida. A canção fala de amor, tem uma letra simples, mas muito carregada de sentimento, é forte mesmo na sua singeleza. Compus esta canção num dia de feriado, sentada na frente do computador. A letra saiu junto da melodia, foi super rápido todo o processo, é uma canção muito especial”, diz.
Assim como “Varrendo a Lua”, o álbum foi produzido por Rafael Ramos e traz dez  composições de Roberta, sendo três parcerias (“De Você Pra Mim” e “A Sua Volta”, com Carolina Zocoli e “Sete Dias”, com Danilo Oliveira), e ainda três composições inéditas de músicos como Paulinho Moska, Frejat e Zélia Duncan:
“[Eles] me deram presentes lindos e junto disso uma grande felicidade, pois são compositores muito queridos por mim, influencias e pessoas especiais. Queria gravar nesse disco canções de outros compositores também e não podia ser diferente, a forma que eles escrevem, as melodias que criam, tem muito haver com meu trabalho. Ganhei do querido Moska “Meu Nome é Saudade de Você”, de Leoni em parceria com Zélia Duncan “Quem Nos Dera” e do Frejat, em parceria com Mauro Santa Cecilia e Guto Goffi “Carne da Boca””.
Moska também toca violão de aço em “Sete Dias”, lançada como primeiro single digital do álbum. “Achei o retorno ótimo, muitas pessoas vieram falar o quanto gostaram da canção e isso me deixou muito feliz!”, conta. O single traz ainda o lado B “E eu fico”, onde Roberta Campos explora um pouco a influência do blues, gênero que ainda não havia sido explorado nos seus outros álbuns. Para “Diário de um Dia”, Roberta também anuncia como mudança a utilização de menos guitarras e mais cordas, arranjadas por Lincoln Olivetti e Otávio de Moraes, e afirma que tal mudança foi um caminho “muito natural”:
“As canções quando nascem elas já pedem algo para sua forma e gosto de respeitar a sua alma, assim surgiram os arranjos. O disco foi produzido pelo Rafael Ramos,  e me dou muito bem com o Rafa, porque falamos a mesma língua e ele entende muito bem as minhas canções e do que eu gosto! Adoro cordas, elas sempre estiveram perto do meu som e fico feliz por ter nesse disco elas tão presentes”, afirma. Roberta também conta que durante a gravação deste disco, estava ouvindo muito “White Album”, dos Beatles; “Circuita”, do My Morning Jacket; Bom Iver, além das discografias de George Harrison e Djavan, mas cita como suas principais influências “o que vêm da minha essência, as coisas que ouvi na minha infância, pré-adolescência, adolescência e também as novidades do mundo hoje, no amplo sentido, tanto musica, fotografia, livros…tudo. A vida me inspira a compor!”
“Diário de um dia” conta com a presença dos músicos Marcos Suzano (percussão), Dunga (baixo), Humberto Barros (Fender Rhodes, Hammond e teclados), Christiaan Oyens (slide e bandolim), Davi Moraes (guitarra) e Fabrizio Iori (teclados) e será lançado em maio pela Deck. Robeta afirma que o álbum será disponibilizado também para streaming, mas enquanto ele não chega, a cantora libera com exclusividade a faixa-título para o Scream & Yell, e você pode ouvir abaixo também o primeiro single, “Sete Dias”, e o lado b “E eu fui”.

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