Neil Gaiman e Amanda Palmer não sabiam quase nada sobre o outro: ela o conhecia de nome, ele tinha algumas músicas da Dresden Dolls, banda de Amanda, no iPod. Através de um amigo, acabaram se conhecendo e logo Amanda pediu para que Gaiman escrevesse algumas historietas para o livro que acompanhou seu álbum solo Who Killed Amanda Palmer?. "Não achei que ele fosse aceitar, porque era famoso e chique e eu estava com o orçamento zerado, mas ele aceitou!", falou Amanda a respeito do primeiro projeto em que fizeram juntos. Um pouco depois, Gaiman se hospedou em um hotel próximo de onde Amanda estava se apresentando e por um erro do hotel que não incluiu camas separadas no quarto, acabaram dormindo juntos. Desde então, noivaram no Ano Novo em 2010, se casaram em um flash mob em Nova Orleans no mesmo ano para, um ano depois, oficializarem propriamente o casamento com uma grande festa na casa dos escritores Avelet Waldman e Michael Chabon, na história que Amanda conta completa (recheada de lindas fotos) aqui. Neil e Amanda agora colaboram na vida, no amor e no trabalho ("nada muito grande, já que nossa relação é a nossa colaboração mais importante") e em 2011 anunciaram uma série de apresentações intimistas que rodaram os EUA e Canadá até 2012 (tendo uma última apresentação ocorrido em abril deste ano) batizada de An evening with Neil Gaiman and Amanda Palmer, onde fariam, juntos ou em turnos, música, leitura de poemas, histórias, improvisos e ainda responderiam a perguntas do público - o que Amanda costuma fazer em seus shows - durante aproximadamente três horas!
As apresentações começavam com um divertido número introdutório em que Gaiman e Amanda conversavam com o público e alguns atores no palco, simulando um programa de auditório, e seguiam para um dueto de "Makin' Whoopie", uma música sobre um marido infiel e sua esposa de saco cheio que Gaiman revelou ter cantado ao lado de Amanda em seu casamento diante de toda a família. Gaiman leu ainda três poemas (que se alternavam a cada apresentação) e diz a lenda que foi admirável ter visto seu pavor em ler uma história em público pela primeira vez! E assim seguiram as apresentações: um pouco de Neil, um pouco de Amanda, um pouco de ambos - ora cantando, ora respondendo perguntas dos fãs (como, "Querido Neil, é difícil para você expressar criativamente certos tipos personagens como pedófilos?", ao que ele respondeu "Não".), em apresentações repletas de falas puladas, versos esquecidos, palavras erradas e o um caos completo em momentos espontâneos e improvisados, mesmo que dentro de um roteiro. E se uma coisa ficou evidente para todos que testemunharam as poucas - e sempre esgotadas - apresentações, foi o forte amor que sentem um pelo outro e não têm a menor vergonha de demonstrar.
( Ironizada sobre isso em uma resenha de jornal, Amanda respondeu com louvor em seu blog e eu traduzi aqui).
( Ironizada sobre isso em uma resenha de jornal, Amanda respondeu com louvor em seu blog e eu traduzi aqui).

Em 2012, foi lançado o áudio da apresentação, que pode ser baixado gratuitamente aqui.
Introdução & Poemas:
Neil Gaiman cantor
Perguntas & Respostas
O oceano no fim do caminho
Dia 18 de junho foi lançado pela Intrínseca O Oceano no fim do caminho, o novo livro adulto de Neil Gaiman. A editora preparou um lindo hotsite com as diversas obras do autor, passa lá: http://www.intrinseca.com.br/neilgaiman/
Dia 18 de junho foi lançado pela Intrínseca O Oceano no fim do caminho, o novo livro adulto de Neil Gaiman. A editora preparou um lindo hotsite com as diversas obras do autor, passa lá: http://www.intrinseca.com.br/neilgaiman/
Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.


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