Expo Ron Mueck e uma visita ao MAM

Hoje é o último dia da exposição individual do australiano radicado em Londres Ron Mueck e suas impressionantes esculturas hiper-realistas no MAM - RJ. Ao todo são 9 peças que vão desde tamanhos gigantes como o casal de idosos na praia à diminuta mãe exausta voltando das compras com seu bebê pendurado no colo.


Segundo o site do MAM: "Ron Mueck faz uso de uma rica diversidade de fontes, tais como fotografias jornalísticas, histórias em quadrinhos ou obras de arte históricas, memórias proustianas ou fábulas e lendas antigas. Still Life (Natureza morta, 2009) se encaixa na tradição clássica da natureza morta, a Woman with Sticks (Mulher com galhos, 2008), inclinada para trás sob um feixe de lenha e nos faz lembrar dos contos de fadas. Drift (À deriva, 2009) e Youth (Juventude, 2009)  parecem inspiradas em manchetes de jornais, ainda que também evoquem obras do passado. Em outras esculturas de Ron Mueck, como o grande autorretrato adormecido Mask II (Máscara II, 2001-2002), os sonhos transformam-se subitamente em realidade."´


Mesmo com a opção de comprar os ingressos online e buscá-los na bilheteria em um guichê separado e de rápido atendimento, uma longa fila se formou do lado de fora do museu durante toda a exposição. Isso significou um lado de dentro apinhado de gente disputando para conseguir ver as esculturas: em cada uma delas era formado um formigueiro e você literalmente tinha que dar uns empurrões para conseguir chegar na frente. 



E nada contra fotografar obras de arte: acho saudável registrar o momento e o seu próprio olhar. Mas era impressionante como parecia ser o único objetivo da maioria das pessoas: chegavam na frente, tiravam fotos, tiravam selfies, fotografavam os detalhes e saíam, sem ao menos uma única contemplação a olho nu. E o pior de tudo é que eram várias as fotos que cada pessoa tirava - o que em alguns momentos significava um verdadeiro exercício de paciência para esperar que terminassem e saíssem da frente. Mesmo assim, a experiência de poder ver ao vivo a riqueza de detalhes (uma barba por fazer com alguns pelos brancos, pelos das axilas, alianças, veias, rugas, pele úmida, dobras, expressões faciais, a baba da galinha, etc.) das obras de Mueck valeram o ingresso e o esforço.


De quebra, pegamos o último final de semana da "Inusitada coleção de Sylvio Perlstein" exposição com 150 peças (que não podiam ser fotografada), todas do século XX e adquiridas antes que o colecionador soubesse seu possível valor: foi convivendo com os pintores, fotógrafos e escultores. No acervo, obras de nomes como Dalí, Duchamp, Man Ray, Magritte, Keith Haring, Kandinsky, Andy Warhol, Lichtenstein, Basquiat, Vik Muniz e muitos outros.

 

Ainda no MAM, estão expostos cartazes antigos de filmes nacionais, novas restaurações e a exposição permanente de arte moderna e contemporânea brasileira da coleção de Gilberto Chateaubriand, com nomes como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Portinari, Hélio Oiticica, Lygia Clark e outros. Vale cada centavo.

Para saber mais: http://mamrio.org.br/


Photo: Come-se pela boca,

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