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The Babadook
Jennifer Kent, diretora de 'O Babadook': Há medo em ser mulher
Jennifer Kent, diretora de 'O Babadook': Há medo em ser mulher
By Renata Arruda At 17:32 0
Entrevista concedida ao site À Pala de Walsh, que pode ser lida na íntegra aqui. Destaco os melhores trechos:
Mulheres no comando de filmes de terror
"Penso que é simplesmente raro haver mulheres na realização. Está a mudar, mas penso que continua a ser raro. Só agora começamos a ganhar confiança e a lançarmo-nos… No que diz respeito ao terror, não sei se consigo responder a isso. Há provavelmente uma série de razões para além do mero sexismo. Penso que é um género que é bastante subversivo, que lida com tabus e não fazemos o papel de bom enquanto realizadoras, exploramos os mais profundos fracassos humanos e penso que certamente tenho coragem de fazer isso, mas se calhar as mulheres não são educadas para isso. Eu posso dizer que quando estava a escrever e a desenvolver The Babadook dizia a conhecidos e pessoas do meio: “estou a preparar um filme de terror”. E eles olhavam-me de volta como se estivesse à beira de matar os seus filhos (risos). Existe esse estigma, mas não quero saber."
"É raro. Mas penso que há muito horror por explorar pelo facto de a voz feminina estar ausente. As mulheres conhecem o medo. Nós vivemos com ele. Não quero retratar as mulheres como vítimas, mas há medo em ser mulher. É diferente do medo que os homens sentem. Por isso, sim: penso que é interessante tornar esta arena mais equilibrada. Há muitas histórias por contar nesse espaço."
"Eu sobre isso tenho de dizer que quis garantir que havia homens por perto também (risos). Porque a coisa podia ter-se tornado verdadeiramente horrífica só com mulheres. Por isso, escolhi um designer de produção e um director de fotografia, que nos equilibraram lindamente. Mas sobre conseguir essa performance e lidar com a complexidade daquela mulher… A maior parte está no argumento. Eu queria torná-la complexa desde o início. No começo, ela era demasiado boazinha. E eu disse: “não, isto está errado”. Ela precisava de ser mais complexa. Ela mente por vezes, não é clara com a irmã e foge das pessoas. Estas coisas tornam-na humana. Isso estava já no argumento. Durante a produção, usufruí dos cuidados da minha produtora, que protegeu o argumento e protegeu-o por forma a que não se tornasse em algo menos original. E aí penso que sermos duas mulheres ajudou bastante. E, claro, Essie Davies, a magnífica actriz que interpreta Amelia, trouxe também a sua emoção, inteligência, profundidade e talento a essa mulher."
A mãe que não ama seu filho
"Sinto um grande amor pela personagem e não gosto de a julgar. Ela comporta-se de uma maneira que qualquer pessoa compreenderá, mas não ajuda muito. Por um lado, a irmã e as pessoas à volta dela não lhe dão grande ajuda. Por outro lado, ela também afasta personagens como Robbie, o tipo que trabalha com ela, ou a senhora Roach, sua vizinha. Eu vejo-a como uma mulher a afogar-se (a drowning woman). Ela vai-se agarrando a estas pequenas jangadas de salvação, mas acaba por se afundar. Sinto uma grande compaixão por uma pessoa nesta situação. Enquanto seres humanos, não temos de testemunhar actos de violência contra pessoas que amamos. Não devíamos passar por aquilo que Amelia passa, mas acabamos por passar. A minha pergunta é: como podemos sobreviver a esse terror, como o podemos olhar no rosto? Este filme, para mim, foi uma exploração disso."
Monstros do subconsciente
"Não sou uma grande leitora de textos de psicologia. Mas um dos filósofos que eu realmente admiro é Jung e Jung diz: “tu não consegues matar o monstro”. Por isso, nós pagamos para que nos matam o monstro. Eu recuso matá-lo. Mas provavelmente não devíamos estar a falar disto. Isto é algo que não devemos dizer, a pensar nas pessoas que ainda não viram o filme."
"Não queria contar uma história em que a personagem encontra algo e depois ela morre no fim, que é o que acontece normalmente no cinema de terror, mas seria ridículo nesta história. Mas não é um happy ending. Não penso que ter algo de tão temível a viver na nossa própria casa seja uma coisa assim tão risonha. É uma negociação com o monstro. Não o podemos matar, por isso, o que fazer com ele? Reflecte a minha experiência na vida."
Sobre o filme, recomendo a excelente e aprofundada resenha "The Babadook - o horror de ser mãe", assinada por Rodrigo Emanoel Fernandes, que pode ser lida aqui.
Assisti O Babadook como parte do projeto #52FilmsByWomen (#52FilmesPorMulheres), que visa apoiar o cinema realizado por mulheres, incentivando o público a assistir pelo menos um longa dirigido por mulher por semana. Foi o segundo que vi e recomendo fortemente.
O primeiro visto foi o documentário Vessel (Embarcação), sobre as ações das organizações Women on Waves e Women on Web que promovem a conscientização e o acesso ao aborto seguro para mulheres que vivem em países onde o procedimento médico não é legalizado. Estou fazendo postagens com as dicas de filmes todo domingo no Instagram, e postei sobre Vessel aqui.
Ambos estão disponíveis na Netflix.
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