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52 FILMES DIRIGIDOS POR MULHERES: MÊS #5
52 FILMES DIRIGIDOS POR MULHERES: MÊS #5
By Renata Arruda At 19:44 0
Esses foram os filmes escolhidos em setembro. As dicas são postadas semanalmente no Instagram, usando a hashtag #ProsaFilmsByWomen e também no Tumblr.
Entre Nos (Idem, EUA, 2014)
⭐⭐⭐⭐
O independente Entre Nos, da colombiana Paola Mendoza, com codireção de Gloria La Morte, é inspirado em uma situação ocorrida com a diretora quando ainda pequena: tendo imigrado há duas semanas de Bogotá para Nova York, ela, sua mãe e irmão são abandonados pelo pai, que vai para Miami sem deixar um endereço e nem responder a telefonemas. Sem trabalho, sem dinheiro e sem saber falar inglês, Mariana, a mãe, começa a tentar vender empanadas, sem muito sucesso, até que a família acaba sendo despejada do pequeno apartamento onde moravam. Na rua, Mariana começa a catar latinhas e dormir ao relento com os filhos, dependendo da generosidade alheia até conseguir juntar dinheiro suficiente para poder alugar um quartinho. Como se não bastasse a fome a pobreza, a mulher ainda descobre uma gravidez indesejada e, não tendo meios de conseguir um aborto legal, recorre aos clandestinos.
Apesar de tanto drama, o tom é otimista e inspirador, focado mais na garra da mãe em fazer o que fosse preciso para garantir o bem estar dos filhos e conseguir dinheiro. Além de mostrar a vulnerabilidade de uma mãe e dona de casa que deixa seu país de origem para acompanhar o marido e o desequilíbrio entre as possibilidades de escolhas entre o homem e a mulher, as diretoras procuram também jogar luz sobre as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes nos EUA.
Mãe só há uma (Idem, Brasil, 2016)
⭐⭐⭐
O mais recente longa de Anna Muylaert foi inspirado na história do menino Pedrinho, que durante a adolescência descobriu ter sido roubado na maternidade. Aqui, a diretora explora ainda as descobertas de sexualidade e identidade de gênero do protagonista, Pierre, que, se já dava pistas naturais de uma identificação com o gênero feminino, após ver ruir a família que acreditava ser sua, a vida que levava e a própria identidade (bruscamente passa a ser chamado de Felipe quando é obrigado a ir viver com sua família biológica), passa a explorar sua transição publicamente, como uma forma de afronta e resistência.
O filme é uma produção menor do que ‘Que horas ela volta?’ e até mais convencional, não procurando se aprofundar e desenvolver os temas que levanta, embora sejam tratados com cumplicidade. Apesar disso, é bacana ver o jogo de ambivalência e contraste com que ele opera. Arrisco até uma extrapolação pra observar que essa dualidade aparece até na escolha do elenco: um ator de nome neutro (Naomi Nero, cuja irmã é uma mulher trans) interpreta o protagonista em transição; Matheus Nachergaele dá vida a um pai preso aos ideais de masculinidade e Daniela Nefussi encarna tanto a mãe postiça quanto a verdadeira. Não é tão forte quanto o filme anterior, mas eu gostei.
As praias de Agnès (Las Plages D'Agnès, França, 2008)
⭐⭐⭐⭐⭐
Em seu documentário autobiográfico, a cineasta belga Agnès Varda parte do seguinte ponto: se você pudesse olhar o interior das pessoas, encontraria várias paisagens. Nela, há várias praias. E aí ela vai revisitando as praias da sua vida, usando o cenário como ponto de intersecção da sua vida e da sua obra, mas nunca de forma banal: longe de ser um documentário convencional, o filme é mais uma peça cinematográfica sensível da diretora, recheado de metalinguagem, reinterpretações, poesia e humor. Uma homenagem ao cinema feita por alguém que dedicou sua vida a ele.
Bom Trabalho (Beau Travail, França, 1999)
⭐⭐⭐⭐
‘Bom trabalho’, da cineasta francesa Claire Denis, foi livremente inspirado em Billy Budd, de Herman Melville, e não conta necessariamente uma história, mas mostra as memórias do sargento Galoup enquanto servia à Legião Estrangeira em Dijibouti, na África. Pode-se dizer que o filme trata das relações de ciúmes, inveja e poder entre homens, com um forte subtexto homoerótico, embora muito pouca ação ou diálogo aconteçam.
Além da belíssima fotografia, o que me chamou a atenção foi a forma delicada como a diretora mostra o universo masculino, passando bem longe dos clichês geralmente vistos em obras sobre o assunto. Denis não se furta de mostrar um desfile de belos corpos masculinos, mas sem nenhum traço de fetichismo: o movimento captado por ela se assemelha mais à dança, ainda que sempre de maneira natural, e poucas vezes vi a imagem masculina ser mostrada de forma tão sensual, sem agressividade, como aqui. O filme em si é bem diferente da maioria das coisas que eu já vi, mas não achei que chega a ser a obra-prima considerada pela crítica.
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