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Não gosto de ser vista como objeto sexual nem tratada como tal. Não gosto que me apalpem  que levantem minha roupa. Isso pra mim é um desrespeito, do tipo que só fazem com as putas nos puteiros porque elas são pagas para aturar esse tipo de coisa. Não gosto que tirem a minha roupa, me apalpem ou finjam me abusar sexualmente. Não gosto que coloquem a boca e as mãos em mim sem o meu consentimento. Para mim isso é estupro. Não tem graça e não deve ser feito nenhuma vez. Como será que se sente alguém que do nada tem a roupa levantada e os seios expostos? Só um completo babaca faz esse tipo de coisa. Tenho muita, muita raiva desse tipo de sexismo que permite que otários achem natural esse tipo de brincadeira, esse tipo de atitude. Deve ser típico desses espectadores de programas degradantes de humor duvidoso. Queria também expor as barrigas gordas e os peitinhos masculinos ou abaixar suas calças para vê-los desconcertados com suas bundas e pintos moles de fora. Mas eu não me rebaixo. Não com atitudes, mas uso essas palavras. São as armas que eu sei usar.

Triste. Postei este texto no fotolog e o E agora está muito puto para falar comigo. Mas eu não podia evitar. De certa forma, queria mesmo que o texto o atingisse, mas também queria falar pelas mulheres que sofrem essas violações ou são induzidas a gostar delas para serem "boas" e "safadas" o suficiente para seus companheiros não procurarem na rua. Eu já havia tido uma meia conversa com ele sobre isso, mas não havia explicado tudo. Ele tentou se defender dizendo que só tinha feito essas coisas poucas vezes e que achava grava na minha reação. A graça era o desconcerto e não o ato erótico em si. Ele disse também: "Desculpa. Se você não gosta, não faço mais". Mas para mim não foi o suficiente, não é tão simples assim. Se trata de todo um sentimento de vergonha e humilhação e banalização e de ser usada como um brinquedo divertido, em vez de uma pessoa que tem reações e sentimentos e discernimento. Isso não se ajeita com frases simplórias ou uma mera conversa. Não se trata de não querer que isso aconteça mais; se trata de mudar as cabeças para que elas percebam o quão baixo e sem graça são essas atitudes. E por isso eu briguei e escrevi na internet. Porque pra mim não se trata apenas de uma coisa íntima de casal, se trata de um reflexo de um pensamento machista. O texto está lá para qualquer um ver, qualquer um que pense em se aproximar de mim. Pode ser E ou qualquer outro.

Por enquanto, não sei o que fazer ou dizer, já que não estou inclinada a me desculpar, embora me sinta ligeiramente arrependida. Entendo como a agressão inesperada e a exposição de maneira ridícula e grotesca deve ter mexido com ele, que me imaginava incapaz de fazer algo assim. Só que não me sinto mais em posição de aceitar tudo ou de ser delicada só porque ele é bonzinho e companheiro. Eu quero ter voz ativa e não ser apenas a donzela que tem todos os seus pedidos atendidos.

***

Ele me ligou dizendo que precisava de um tempo sozinho e que a gente podia conversar na sexta. Tudo isso depois de dizer que não tinha nada para falar comigo, que eu era baixa e filha-da-puta. Que eu não prestava e que tinha nojo de mim, entre outras coisas. Sexta pra mim é um dia cheio, tenho psicóloga e eu disse que não daria. Espero poder contar tudo isso a ela e que ela me ajude a resolver essa situação. Eu ando triste e desanimada mas não sei se é só por isso ou por outros motivos. Tenho gostado mais da presença dele como amigo do que como namorado. 2 anos jogados fora?

Setembro, 2009

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