Melhores 2017: 10 obras escritas por mulheres



Minha lista de melhores livros e quadrinhos do ano são focadas nas melhores leituras que fiz no ano, acho uma forma mais interessante de organizar o que eu li. Aqui, resolvi fazer um post especial com as obras de autoria feminina que mais me marcaram no ano -- tem romance, conto, poesia, quadrinho e mangá e eu espero que possa servir como dica para quem esteja procurando ler mais mulheres. A lista geral sai em breve.

Os luminares, Eleanor Catton
A história se passa na Nova Zelândia do século dezenove e tem tudo o que eu gosto: um mistério envolvendo assassinato, roubo, desaparecimento e uma tentativa de suicídio. 12 homens se veem perifericamente envolvidos em tudo isso e organizam uma assembléia a fim de juntar as peças do quebra-cabeça - e ainda que isso nunca seja mencionado na história e esteja apenas indicado nos mapas astrais que abrem cada capítulo, cada um desses homens representam um signo do zodíaco. A construção desses personagens é baseada nas características clássicas se cada signo e a ação de cada capítulo envolve também a posição dos astros no céu. Dizer mais que isso seria estragar a trama tão bem bolada, com diálogos muito bem construídos, que daria uma excelente série de mistério. Se tornou um dos meus livros preferidos.

O conto da aia, Margaret Atwood
Escrevi sobre este livro aqui

O livro das semelhanças, Ana Martins Marques
Carregado de ausências e distâncias intransponíveis, de tentativas de recuperar o irrecuperável. Ana Martins Marques manuseia as palavras com a habilidade e consegue alcançar sentimentos que estão lá no fundo. Me tocou. Baita livro.

História de quem foge e de quem fica, Elena Ferrante
Desigualdade, revolução, movimento feminista e contracultura são os elementos que costuram o pano de fundo das vidas de Elena e Lila, agora beirando os 30 anos. Elena permanece sendo uma personagem um tanto quanto vazia, frívola, que me irrita profundamente, e uma narradora não muito confiável. Lila, vista pelos olhos de Elena, parece pior do que realmente é. Ela entende muito cedo como o mundo funciona e do que as pessoas são feitas. Com a série napolitana Elena Ferrante me parece escrever um tratado sobre as existências femininas, da infância à velhice. Esse aqui é melhor livro da série. 

Escrevi sobre os outros livros da tetralogia aqui.

As coisas que perdemos no fogo, Mariana Enriquez
Ainda que as histórias tragam elementos do sobrenatural e do inexplicável, o terror - um gênero quase sempre alegórico - se apresenta em elementos do cotidiano urbano: a miséria, o vício, a loucura, a deformação física. Os horrores da ditadura militar. O isolamento social, o descaso, as crianças que amadurecem cedo demais e as crianças assassinadas. O machismo e o feminicídio. São histórias cujos finais são abertos, deixando para o leitor a tarefa de deduzir o que aconteceu e concluí-las. Eu, que não sou grande leitora de contos, só não devorei o livro mais rápido porque não queria que acabasse. Gostei de todos.

Jazz, Toni Morrison
Esse é um livro bem peculiar, que exige bastante concentração do leitor ao traduzir em texto a cadência do jazz através das marcas de oralidade nas falas das personagens e da narrativa que vai e volta e improvisa, enquanto narradores nada confiáveis contam seus pontos de vista. Por trás de uma trama banal de traição e assassinato, há toda a história de vida e luta dos negros norte-americanos nos finais do século XIX e início do século XX. É necessário fôlego para acompanhar, mas vale a pena.

A cabeça do santo, Socorro Acioli
Um pai azarado que, devido a um erro fatal, leva sua família e uma cidade inteira à ruína. Um filho que busca a vingança, encontra a miséria e, através de um embuste para sobreviver, involuntariamente devolve a vida à cidade fantasma. Uma história que bebe da fonte do realismo fantástico para criar uma trama brasileiríssima, que fala de destino, de tempo, de como tudo se ajeita. Daria uma minissérie divertidíssima. Há uma leveza, um humor, um otimismo em Socorro que consola. Leiam.

Nimona, Noelle Stevenson
HQ pra lá de divertida, que mistura fantasia e ficção científica em uma paródia sobre um super-vilão não muito bem-sucedido e uma menina metamorfa que se unem para derrubar o governo corrupto da Instituição. A história se passa em um futuro medieval onde elementos de duas épocas opostas convivem com naturalidade, retratando situações inusitadas como a que um cavaleiro assalta um banco moderno se utilizando de explosivos para abrir o cofre e vai embora voando em um dragão, carregando o ouro em um baú. Recheada de comédia, violência leve e louvor à ciência, a graphic novel ganhou o prêmio Eisner e foi finalista do National Books Awards.

Orange, Ichigo Takano
Já escrevi sobre Orange aqui

Nodame cantabile, Tomoko Ninomiya
O mangá utiliza a música clássica como o fio que liga pessoas de personalidades, backgrounds e histórias de vida tão opostos. Apesar disso, passa longe da seriedade sisuda e se mostra como uma obra engraçadíssima ainda que bastante realista ao retratar o cotidiano nada glamouroso de músicos: dos estudantes que passam dificuldade para se manter até membros de orquestra que precisam dividir os ensaios e apresentações com um emprego regular, passando pela falta de tempo, de dinheiro, falta de profissionalização, falta de perspectiva e de oportunidades. São 25 volumes em que os personagens rodam o mundo - do Japão rural ao Brasil - enquanto se desenvolvem na busca pela realização de seus sonhos. 

Menção honrosa: A hora da estrela, Clarice Lispector (releitura) e A filha perdida, Elena Ferrante (entra aqui para não repetir a autora).

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