Melhores 2018: 10 filmes dirigidos por mulheres



Assim como fiz em 2017, resolvi elencar os 10 melhores filmes dirigidos por mulheres que assisti este ano. Foi um ano em que avancei bem no projeto #52FilmsByWomen, fechando com 34 filmes assistidos (lista). Admito eu poderia ter chegado aos 52 com tranquilidade, mas passei por um longo período de ressaca cinematográfica, querendo apenas me aconchegar no conforto das reprises de Brooklyn Nine-Nine para esquecer as trevas enfrentadas em 2018. No fim das contas, deu para fazer uma listinha bacana com o que eu considero os destaques do ano.

Os textos abaixo são trechos retirados das postagens feitas no Instagram para o projeto.

Veja também
Melhores 2017: 10 filmes dirigidos por mulheres


Entre-Laços, Naoko Ogigami
O filme se propõe a retirar as pessoas transexuais das histórias de marginalidade e colocá-las no centro de um drama familiar muito tocante. Além da família que se forma, entre um tio, sua sobrinha e sua esposa trans, aborda também o difícil período de descobertas pelo qual passa uma criança que se descobre homossexual e que se descobre trans. O filme não deixa de mostrar o ferrenho preconceito que essas pessoas sofrem, mas não está preocupado em explorá-lo. A cena do ritual simbólico em que a família faz uma fogueira com falos feitos de lã, representando o momento em que a personagem está pronta para sua operação, é poderosa. Lindo! 

Maya Angelou: E ainda resisto, Rita Coburn e Bob Hercules
É uma sorte que a dra. Angelou tenha sido tão aberta e deixado tantos registros, já que a grande força do documentário é permitir que sua personagem fale sobre a própria vida. E é impressionante vê-la falar: Maya Angelou conta suas histórias de maneira naturalmente poética, habilidosa e elegante, sem nenhum traço de afetação. Me emocionei várias vezes com a força das suas palavras. | Disponível na Netflix






As boas maneiras, Juliana Rojas e Marcos Dutra
Juliana Rojas e Marco Dutra estão consolidando o cinema de gênero no Brasil e trazem uma bela fábula de terror urbano que toca em questões como desigualdade entre classes e aceitação de diferenças com protagonistas LGBTQ. A primeira parte é sensacional; a segunda já é um pouco menos instigante mas isso não diminui a qualidade do filme. Recomendo forte. 







O conto, Jennifer Fox
Em uma obra autobiográfica, a diretora apresenta um filme lúdico que trata de um assunto arrepiante: se dar conta de que o que ela achava que havia sido um relacionamento entre um homem mais velho e uma adolescente na verdade foi uma história de abuso e estupro. | Disponível na HBO






Você nunca esteve realmente aqui, Lynne Ramsay
Lynne Ramsay desconstrói a linha narrativa para mostrar uma história sombria protagonizada por um sujeito esquisito. Ela não mastiga nada pra você: o filme funciona como um quebra-cabeças de imagens que o espectador precisa colocar em ordem. Destaque para a trilha afiadíssima do Jonny Greenwood. 






Eu não sou uma bruxa, Rungano Nyoni
O cenário é a Zâmbia, país natal da diretora zambiano-galesa Rungano Nyoni. Seu filme de estreia acompanha a pequena Shula, que aparece misteriosamente em um vilarejo e logo é acusada de ser uma bruxa. A menina então passa a viver no campo de concentração com as outras bruxas, mulheres que vivem presas por fitas para que "não saiam voando" e que são exploradas para trabalhos no campo, atuação como vidente e atração turística. É um comentário cortante sobre misoginia, em uma fábula que remete à crueza de Michel Haneke misturado ao surrealismo de Yorgos Lanthimos.


Esplendor, Naomi Kawase
O enredo trata do encontro entre duas pessoas marcadas pela perda: ela, uma audiodescritora solitária, que lida com as saudades do pai falecido e com uma mãe idosa, que começa a apresentar sinais de demência. Ele, um fotógrafo consagrado que perde a visão e, com isso, a possibilidade de continuar exercendo a profissão. Eles se conhecem durante as exibições de um filme para o qual ela está trabalhando na áudio descrição e enquanto ela busca as palavras certas para transmitir as imagens e sentimentos complexos que aparecem na tela, ele se mostra constantemente insatisfeito com palavras que não substituem a experiência de ver. É um filme lento, poético e sensível sobre aceitar aquilo que não se pode mudar.


Visages, Villages, Agnès Varda e Jr
A maravilhosa Agnès Varda divide roteiro e direção com o fotógrafo e muralista JR, neste documentário delicioso sobre encontros e partidas, em que percorrem o interior da França fotografando pessoas comuns e criando belíssimos murais. A viagem, a amizade entre os artistas e o que criam no processo são mostrados de forma poética, divertida e transbordando a criatividade. O final abre espaço para um pouco de melancolia, com a revelação de um lado obscuro de Godard, de quem Varda foi amiga durante os anos de Nouvelle Vague.


A ganha-pão, Nora Twomey
A animação é baseada no livro "A outra face", o primeiro da trilogia de Parvana, escrito por Deborah Ellis, e conta a história de uma menina afegã que, após a morte do irmão mais velho e a prisão injusta do pai, precisa fingir ser um menino para sustentar a família, já que na região dominada pelo regime Talibã onde vive as mulheres não apenas são impedidas de trabalhar, como também de andar na rua desacompanhadas de um homem. Elas não devem aprender a ler nem estudar e também não podem interagir com os comerciantes.É um filme muito bonito, muito tocante, que escancara a realidade em que vivem mulheres tão distantes de nós. Se tornou uma das minhas animações preferidas. | Disponível na Netflix 


Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi, Dee Rees
O longa retrata de forma pungente o que significava ser uma pessoa negra no sul dos EUA durante os tempos de Segunda Guerra mundial. De quebra, também temos vislumbres do que significava ser mulher e do abismo que separa a mulher branca da mulher negra, ainda que ambas sejam silenciadas pelo machismo. "Mudbound" é daqueles filmes que têm a capacidade de deixar a gente borbulhando de raiva diante de situações em que nada pode ser feito. Mas apesar de conter cenas brutais, traz um desfecho repleto de resiliência e esperança. Embora demore um pouco para engatar, vale cada minuto. | Disponível na Netflix



Menção honrosa:


Lady Bird: A hora de voar, Greta Gerwig
Lady Bird entra aqui como menção honrosa porque, apesar de ter sido lançado no Brasil em 2018, eu assisti no ano passado, após ter publicado minha lista de melhores do ano. Foi um filme do qual gostei muito, dos poucos a levar a sério a adolescência de uma mulher e retratá-la de maneira honesta, sem a necessidade de explorar sofrimentos desnecessários. Ele toca em um ponto que faz parte do amadurecimento de quase toda mulher, principalmente aquelas que vivem em lugares provincianos: o choque geracional e os conflitos com a mãe. Um belo filme, um milhão de vezes melhor que seu primo hypado Frances Ha.



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